sexta-feira, 28 de abril de 2017

das noites e das manhãs






não consegui entrar em ti. para seguir as coordenadas do coração, não posso desviar-me da essência, dizem eles apontando o dedo para o resultado do último teste. a cada etapa, uma nova armadilha. 
toda a noite caiu chuva dentro da minha cabeça. não fosse não ter ouvido os pingos no varão da varanda, teria a certeza de que tinha chovido a noite toda.

não tenho necessidade disto - foi o primeiro pensamento da manhã - mas quando repousava as mãos na massa, ecoou-me que se assim não fosse, não o vivia. 

coloque-se de fora e olhe para a sua vida - dizia eu há dois dias àquela mulher que ao entrar, pousou o coração na mesa. eu sabia que ela não vinha por acaso. nunca vêem. sentam-se em frente a mim, e levantam o pano do espelho que nem sabem que trazem com elas.