terça-feira, 25 de julho de 2017

um homem que cabia numa pen







tudo o que tinha restado daquele homem cabia numa pen. palavras, cores, músicas, poemas, livros, e muito conhecimento. sim, conta-me ela que tinha um conhecimento imenso de tudo. inutilidades, dizia-lhe ele, ao que ela ria, vindo a dar-lhe razão mais tarde. sim, inutilidades. não era por tanto conhecimento que vivia menos só. não era por isso que fazia os outros menos sós. apenas uma ilusão efémera de sedução, estava ela convicta, até de manipulação. ele brincava com as suas emoções e com as suas sensações. na verdade, apesar de tanto saber que ele exibia, foi apenas tristeza que lhe deixou, abandono e  descrença. não é coisa bonita de se fazer acompanhar na vida.












26 comentários:

  1. eu também aprendi que conhecimento não é sinónimo de humanidade.

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    1. milhões de distância, menina bonita *

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  2. um homem que cabe numa pen não é um homem, é um ser virtual, e isso convém ter sempre presente.
    quando muito ganhará o P.E.N. Clube.

    um bom dia para ti

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    1. Que bom ver-te Teresa.
      Sim, é um ser virtual, se é que se pode chamar isso a um 'ser'.
      Tem um bom dia.

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  3. ...nunca devemos deixar que nos aniquilem.
    Beijo daqui até aí

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    1. Não sei se chegou tão longe, Goti.
      Dia de sol, daqui até aí.

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  4. Certas pessoas que parecem grandes, são afinal pequeninas e cabem numa pen ou têm existência de link. Mas estou em crer que muita da grandeza que lhes atribuímos têm também tem a ver com o olhar que a determinada altura sobre elas construímos, uma parte da responsabilidade é nossa.
    ~CC~

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    1. Sem dúvida CC. A maior parte das vezes criamos a imagem daquilo que gostaríamos de ver.
      (eu não gostava de caber numa pen :))
      Abraço

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  5. Eu gostava que os meus devaneios coubessem numa pen drive de 8GB.

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  6. «na verdade, apesar de tanto saber que ele exibia, foi apenas tristeza que lhe deixou, abandono e descrença. não é coisa bonita de se fazer acompanhar na vida.» Podia ter sido outro alguém que conheço a escrever estas palavras.
    Há pessoas, ana, que, ao fim de algum tempo, se apagam até das pens, porque, afinal, não passam de uns patetas sem préstimo.
    Beijo

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    1. chego sempre à conclusão que coincidimos todos uns nos outros. como nós na história da mulher :)
      conheço algumas pessoas que só têm conhecimento, e uma necessidade imensa de o mostrar.
      beijo

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  7. não afino pelo diapasão dominante. em bom rigor - exceptuando os filhos que gerámos, promessa de reprodução e continuidade, blá blá e ainda o que conseguimos imprimir na memória dos outros- tudo o que escrevemos/desenhámos/dissemos/etc etc cabe certamente numa pen. a tua tem mais gigas que a minha (?)

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    1. tu não cabes numa pen, geronte. tem lá paciência. e estou a atafulhar-me de empadas para não falar e deixar-te todo babado.

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    2. querias era umazinha... ora.... :P

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  8. como tantas vezes, anuka, na mouche...

    ________
    eu bem repito que esta cultura "matriarcal" (o pendor é machista, tremendamente, terrivelmente machista) produz merdas de gajos destes, mas felizmente vão surgindo mulheres sem encantamentos (o que interessa o encantamento de uma pen, sabendo quem finalmente somos? gente com filhos, necessidades absolutamente vitais, mas ainda tanto de suporte, apoio da descendência, e não, claro que não me refiro às necessidades materiais: no meu caso - delas - estão asseguradas, mas mesmo assim sei que não basta isto, jamais bastará, e tenho meses de estar no dia 20 e não ter a massa para um pão, quanto mais fazer uma tarte...).

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    1. às vezes a mouche bate em mim. como esta noite...toda ferradinha das melgas...:)
      bom dia, alex :)

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  9. Livros numa pen?!!
    Era claramente um homem descartável :P

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    1. sim, Eros, e-books.
      eu não sei se era descartável. também a raposa, não podendo chegar às uvas... ;)

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  10. Sabemos muito menos do que julgamos saber. É por isso que a vida é uma constante aprendizagem.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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    1. sem dúvida, Graça.
      muito obrigada.
      beijo

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  11. Quando o que guardamos numa pen deixa de ter interesse ou serventia, basta apagar e aproveitar o espaço para novos ficheiros. ;)

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    1. às vezes guardamos o nosso coração numa pen.
      bom domingo, Luisa :)

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